domingo, 27 de maio de 2012

Segredos e Pecados, Capitulo VII



No escuro


With the lights out it's less dangerous
            Quando as luzes estão apagadas é menos perigoso

Here we are now entertain us
Aqui estamos agora entretenha-nos

I feel stupid and contagious
Sinto-me estúpido e contagioso

Here we are now entertain us
Aqui estamos agora entretenha-nos


Quando entrei a casa pude ouvir o rádio que estava no volume máximo, quem tinha ligado aquilo, não poderia ser minha irmã, ela odiava nirvana. Subi as escadas, minha irmã não estava em casa, desliguei o aparelho, pois tinha travado e estava repetindo a mesma parte da música. De repente as luzes apagaram. Nesse momento eu percebi o que estava acontecendo, ele queria brincar e agora era para valer. Talvez o refrão da música fosse um código, depois das luzes apagadas, eu deveria entretê-lo. Mas como? Talvez eu já tivesse, seja assim que ele se diverte.
– Você gosta de brincar não é? – Gritei. – Eu posso aprender a jogar seu jogo também. – As luzes começavam a piscar. – O que é isso?
– Cassie Agnelli. – Minha irmã gritava.
– Anabelle. – Gritei. Sai correndo até a sala. – Você está bem?
– Eu estou. Só quero saber por que você está gritando.
– Achei que tivesse algum ladrão em casa.
– Por quê?
– Eu não sei. – Agora eu estava ainda mais confusa. – A lâmpada do meu quarto apagou, depois começou a piscar. Sem contar o rádio ligado.
– A lâmpada deve ter queimado, e a música você deve ter colocado e não lembra.
– Deve ser. – Eu sabia que não, não havia colocado aquela música.
– Eu vou trocar a lâmpada e você vai fazer o jantar.
Depois do jantar, eu voltei para meu quarto e encontrei outro bilhete.

Vamos brincar? Agora é para valer? Eu ri tanto quando a luz apagou. Faça-me um favor? Vá até sua escola que lá tem um presentinho para você.

Beijos, com amor...

Eu estava com medo, isso era inevitável, porém eu queria saber o que me aguardava, minha curiosidade ia mais além. Fui até a escola, a lâmpada de uma sala estava piscando, então fui até lá, respirei fundo e fui ao meu provável fim. Tirei meu casaco cinza, coloquei sobre a maçaneta e abrir a porta, não queria deixar minhas digitais ali. Entrei na sala e a luz de repente apagou. Agora tudo fazia sentido.
Tirei o celular do bolso e usei como lanterna, tinha várias cadeiras jogadas e roupas rasgadas sobre o chão. Eu ouvia uma batida desde que entrei na sala, algo batia sem parar contra a parede. Aproximei-me e pude perceber que havia algo pendurado. Uma corda enrolava o pescoço de uma moça completamente nua, coloquei o celular próximo de seu rosto, era July, uma garota da minha turma, agora eu me tocava que era a minha sala. Havia um cartão escrito com tinta vermelha, talvez sangue, eu não sei.
Oi, tudo bem? Só queria te dizer que se você não me esquecer dessa vez, da próxima quem estará no lugar dela é você.
Beijos.
Eu puxei o cartão e coloquei em meu bolso, quando percebi havia pisado em uma poça de sangue, eu não podia sair com aquele sapato sujo, mas eu não tinha outra opção, sai correndo deixando pegadas por toda a parte, quando cheguei a minha casa, a lateral do meu tênis ainda estava sujo. Corri para o meu quarto, limpei o tênis, tomei um banho e fui para cama. Peguei todos os bilhetes e coloquei fogo, desesperada tudo o que eu queria era que tudo aquilo acabasse.

Aqueles cachos ruivos me atormentaram a noite toda, aqueles olhos derramando lágrimas de sangue, era tudo o que eu queria apagar de minha mente. Eu já sabia que amanhã não teria aula, não havia motivos para eu me levantar, mas eu precisava ir e fazer cara de surpresa, assim eu não seria suspeita, minhas pegadas estão por toda sala.
Tudo o que eu queria saber é por que ele me quer tanto, eu já nem tenho desejo de observar as pessoas, porque sei que agora estou sendo observada. Eu estou ficando louca, mas eu não posso fugir, eu prometi que seria forte agora, então terei que enfrentar tudo sozinha.

Não consegui dormir, passei a noite toda tentando apagar aquilo da minha mente. De manhã levantei da cama, tomei meu banho, vesti minha roupa normalmente. Fui para a escola, chegando lá estava cheio de pessoas em frente à escola. Perguntei a alguém o que tinha acontecido.
– O zelador encontrou uma garota enforcada, disseram que ela se matou. Só que parece que encontraram pegadas sujas de sangue por toda sala e corredor da escola.
– Então ela não se matou? – Fiz cara de chocada e desentendida.
– Provavelmente não.
Voltei para casa correndo. Eu deveria esquecer ele e voltar para minha velha rotina. Mas como ele sabia que eu o procurava? Ele ler mentes? Eu não sei. Só sei que eu deveria esquecer tudo aquilo. Eu precisava comer, então fui até a padaria, minha irmã vivia fazendo dieta, como eu não queria comer folhas, então sempre ia à padaria que era próximo a minha casa.
– Dois cupcake.
– Você come muito. – Disse Elisabeth.
– Você mora aqui? – Sorri.
– Só precisava espairecer.
– A maioria das pessoas não procura uma padaria para espairecer, mas nós somos diferentes. – Me sentei próximo a ela. – Você só toma cappuccino?
– Minha ex-sogra morreu. – Sua expressão era triste. - E meu ex-sobrinho vem morar comigo.
– Meus pêsames. – Meu rosto mudou de expressão rapidamente. - Mas se torna engraçado esse negócio de ex, tecnicamente ele nunca foi seu sobrinho.
– Acho que eu consegui uma amiga mais nova. – Ela sorriu.
– Qual o nome dele?
– De quem?
– Do sobrinho.
– Nathaniel. – Ela fez uma expressão de preocupação. – Nome bonito, não acha?
– Sim. Ele tem algum problema?
– Ele é um encrenqueiro. Já foi preso usando e vendendo drogas, já roubou um carro.
– Já matou? – A interrompi.
– Não que eu saiba. – Ela ficou chocada com a pergunta
– Que bom.
– Já te disseram que você é estranha?
– Já sim. – Eu rir. – Vou ver se tem bomba de chocolate, já volto.
– Minha nossa que fome. – Ela falou a me ver voltar com uma bomba de chocolate bem grande. – Aconteceu alguma coisa?
– Como deu para perceber pelo o meu tipo físico, eu como muito. Mas está acontecendo algo mesmo.
– O que?
– Desculpa, é segredo e se eu te contar não vai ser mais segredo. Mas como sua filha reagiu à morte da avó?
– Ela chorou, mas depois começou a gritar de raiva quando eu disse que o primo vem morar conosco.
– Nossa, eu pensava que a Ceci... Cecília era mais compreensível. – Quase falei o apelido que dei a ela, ia parecer muito intimo.
– Você realmente não a conhece.
– Desculpa me intrometer, mas como realmente é a sua filha?
– Incompreensível, mimada, egocêntrica. Acho que a culpa é minha que não soube educá-la.
– O seu marido? Vocês se separaram?
– Sim, nós nos separamos quando Cecília tinha oito anos. Ele morreu dois anos depois. – ela falou triste. – Eu tenho que ir trabalhar. – Ela pegou o casaco. – Antes d’eu ir. Esse é o número de uma nutricionista, sabe é para o seu bem.
– Tchau. – Sorri.
Peguei o número da nutricionista e sai. A Sra. Miller é legal, o melhor de tudo é que eu sendo amiginha dela, posso saber o que acontece com a minha querida Cecília. Meu celular começou a tocar e eu recebi uma mensagem de texto que dizia: “Me encontre em frente à escola”. Ele me disse para esquecer-lo, pensei que se esqueceria de mim também.
Cheguei à escola, era o Sam que me esperava. Samuel Singh era o meu único amigo. Ele tinha o cabelo preto, com uma franja enorme, os olhos azuis quase transparentes, ele usava lápis de olho e as unhas estavam pintadas de preto, ele era estranho, mas bonito.
– O que foi? – perguntei estressada.
– Nada de mais, só queria te dizer que eu fiz amizade com a Cecília, Alice e Mariana.
– Não podia ter dito isso pelo sms? Por que em frente à escola? Você é louco, aqui está cheio de policiais.
– Desculpa, pensei que você iria gostar. Você está fugindo da policia por acaso?
– Me desculpa também, eu estou estressada e você também não ajuda. É bom assim, você o pode espionar e me contar tudo.
– E o melhor de tudo é que eu vou ficar perto da Mari.
– Tinha me esquecido que ela é o amor de sua vida.
Conversamos mais um pouco e depois fui para casa. Agora sim tudo estava melhorando.

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