Inimigo
Todos
na cidade andam assustados com o aparecimento desse serial killer, já que ele
fez outras vítimas. Além de Mariana, não houve sobreviventes.
Eu estava em casa deitada
em minha cama, quando resolvi dar umas voltas. Fiquei andando a deriva, mas
depois de um tempo percebo que tem um homem que me acompanha desde que sai de
casa, não consigo ver seu rosto, pois está coberto por um capuz. Mudo de
caminho, e percebo que ela continua atrás de mim, começo acreditar que ele está
me perseguindo, mas depois acho que pode ser só paranóia.
Eu começo a correr, quando
eu chego a uma praça percebo que ele já não estava me perseguindo, e aquilo me
aliviou. Começou a chover, então resolvo voltar para casa. Vou por um caminho
mais perto, pois não estava a fim de me molhar. Eu estava por uma rua que
estava cheia de rosas vermelhas jogadas no chão, olho para trás e aquele mesmo
homem (ou mulher, não consigo saber) estava vindo em minha direção. Começo a
correr e o medo percorre minhas veias, não consigo olhar para trás, ele chega
próximo de mim, penso que ele irá me matar, então ele se aproxima e me entrega
um cartão que diz: “A diversão começou”. Depois disso ele desaparece como um
fantasma. Volto correndo para casa.
Cheguei em casa com uma
cara espantada. Minha irmã olha para meu rosto pálido e pergunta:
– O que foi? Parece que
viu um fantasma.
– Pior. – Sussurrei para
mim mesma.
– Hã? Tudo bem?
– Sim, sim.
– Eu tenho que ir
trabalhar. Ver se não meche nos meus relatórios Srta. Curiosa.
– Certo. – Sorri.
Minha irmã era psicóloga,
então eu sempre dava uma olhada nos relatórios dos pacientes. Ela nunca
comentava, mas eu sabia de tudo. Olhando os relatórios encontrei o de Mariana,
nem sabia que minha irmã era a psicóloga dela. Ela contava como tava se
sentindo, então irei para a parte que realmente interessa. O que aconteceu
naquele dia.
“- Eu estava dançando,
então resolvi ir procurar Cecília, fui para a praia e percebi que tinha perdido
o celular. Voltava para a casa quando ouvi uma voz conhecida e depois não me
lembro de nada. Até que eu acordei em uma cama, acho que eu estava em um porão,
tinha um homem com o rosto coberto por um capuz, eu não consigo me lembrar bem
dele, pois a minha visão estava toda embaçada. Ele começou a cortar partes do
meu corpo, como os seios, costas, braços e pés. E em cada canto que cortava,
bebia meu sangue como um vampiro, que provavelmente ele não era. Ele beijava
por cima de cada corte, ele nunca se atrevia a tocar o meu rosto. Eu era virgem
até ele ter feito isso comigo, foi horrível, eu nunca tinha sentido tanta dor
em toda minha vida. Eu fui torturada e estuprada várias vezes naquela noite. Na
hora que ele tirou minha virgindade eu desmaiei, e só me lembro de acordar no
hospital. – A paciente chorava.”
Fiquei chocada com o que
li, nunca imaginei que fosse daquela forma. Eu estava decidida a descobrir quem
era ele, porém o medo era bem maior.
No outro dia eu fui à
livraria comprar o livro “A Vampira” de “Jane Austen”, mas estava em falta,
então eu fiz a encomenda e acabei levando “Sombras da Noite” do “Stephen King”.
No caminho de volta para casa esbarrei em algo macio, quando olhei para o chão
vi que era Jenny, a nossa querida preguiça.
– Me desculpe, eu sou uma
desastrada. – Falei ajudando a se levantar.
– Tudo bem.
Puxei a manga de sua
camisa para ver se ela havia se machucado, ela estava com um hematoma que não
havia sido daquela simples queda.
– O que foi isso?
– Você me machucou.
– Você pode até ser burra,
mas eu não. Sei muito bem que uma quedinha como esta não te machucaria tanto
assim. Quem fez isso?
– Eu caí hoje cedo.
– Vamos fingir que eu
acredito.
– Garota eu nem te conheço
por que você quer me ajudar?
– Porque eu conheço as
pessoas melhor que elas mesmas. E eu sei quando o seu namorado te bate e você
não quer admitir, e você diz que não se importa, mas no fundo você sabe que
quando ele te fere você se sente viva.
– Eu não gosto disso, mas
eu o amo.
– Serio? Ele também, te
ama tanto que demonstra te batendo, te espancando. A maioria ama tanto que
acaba matando a pessoa que ama. – Falei ironicamente, mas em um tom sério.
– Tudo bem, eu vou
conversar com ele.
– Quando? Quando ele
estiver te matando?
– Não, eu prometo.
– Então me conte o que
aconteceu.
– Tudo bem, mas não aqui e
eu não posso ir para a minha casa.
– Vamos para a minha.
No caminho para a minha
casa, eu resolvi quebrar o silêncio.
– Você pelo menos sabe meu
nome?
– Não.
– Melhor assim.
– Você é estranha.
– Não é a primeira que diz
isso.
Quando chegamos a minha
casa, fomos para o meu quarto e eu fiz alguns curativos. Ela ligou para os seus
pais e logo depois se deitou na cama, odeio gente preguiçosa.
– Agora me conte o que
aconteceu.
– Promete que vai guardar
segredo?
– Para quem eu contaria? –
Sorri
– Foi meu namorado o...
– Tyler.
– Como você sabe?
– Quem não conhece os sete
pecados.
– Ok. Ele sempre foi meio
esquentado, não é a toa que o chamam de ira. Mas ele nunca tinha me batido. –
Ela sentou na cama. – Ele estava brigando com a sua irmã, a Kristen. – Quando
eu ia falar ela me interrompeu. – Não me pergunte o porquê, eu não sei. Então
eu pedi que ele parasse, ela saiu correndo e ele estava com muita raiva ainda,
ficou gritando. Fui tentar acalmá-lo, só que ele acabou descontando a raiva em
mim, ele me bateu e me empurrou contra a parede. Acabei fugindo de lá, até que
encontrei você.
– Você promete que vai
conversar com ele? E se ele voltar a te bater vai denunciá-lo?
– Prometo.
Ela foi dormir e eu fui
escrever. Fiquei me perguntando por que ele estava com tanta raiva da irmã.

Nenhum comentário:
Postar um comentário