domingo, 27 de maio de 2012

Segredos e Pecados, Capitulo IV

Inimigo


Todos na cidade andam assustados com o aparecimento desse serial killer, já que ele fez outras vítimas. Além de Mariana, não houve sobreviventes.
Eu estava em casa deitada em minha cama, quando resolvi dar umas voltas. Fiquei andando a deriva, mas depois de um tempo percebo que tem um homem que me acompanha desde que sai de casa, não consigo ver seu rosto, pois está coberto por um capuz. Mudo de caminho, e percebo que ela continua atrás de mim, começo acreditar que ele está me perseguindo, mas depois acho que pode ser só paranóia.
Eu começo a correr, quando eu chego a uma praça percebo que ele já não estava me perseguindo, e aquilo me aliviou. Começou a chover, então resolvo voltar para casa. Vou por um caminho mais perto, pois não estava a fim de me molhar. Eu estava por uma rua que estava cheia de rosas vermelhas jogadas no chão, olho para trás e aquele mesmo homem (ou mulher, não consigo saber) estava vindo em minha direção. Começo a correr e o medo percorre minhas veias, não consigo olhar para trás, ele chega próximo de mim, penso que ele irá me matar, então ele se aproxima e me entrega um cartão que diz: “A diversão começou”. Depois disso ele desaparece como um fantasma. Volto correndo para casa.
Cheguei em casa com uma cara espantada. Minha irmã olha para meu rosto pálido e pergunta:
– O que foi? Parece que viu um fantasma.
– Pior. – Sussurrei para mim mesma.
– Hã? Tudo bem?
– Sim, sim.
– Eu tenho que ir trabalhar. Ver se não meche nos meus relatórios Srta. Curiosa.
– Certo. – Sorri.
Minha irmã era psicóloga, então eu sempre dava uma olhada nos relatórios dos pacientes. Ela nunca comentava, mas eu sabia de tudo. Olhando os relatórios encontrei o de Mariana, nem sabia que minha irmã era a psicóloga dela. Ela contava como tava se sentindo, então irei para a parte que realmente interessa. O que aconteceu naquele dia.
“- Eu estava dançando, então resolvi ir procurar Cecília, fui para a praia e percebi que tinha perdido o celular. Voltava para a casa quando ouvi uma voz conhecida e depois não me lembro de nada. Até que eu acordei em uma cama, acho que eu estava em um porão, tinha um homem com o rosto coberto por um capuz, eu não consigo me lembrar bem dele, pois a minha visão estava toda embaçada. Ele começou a cortar partes do meu corpo, como os seios, costas, braços e pés. E em cada canto que cortava, bebia meu sangue como um vampiro, que provavelmente ele não era. Ele beijava por cima de cada corte, ele nunca se atrevia a tocar o meu rosto. Eu era virgem até ele ter feito isso comigo, foi horrível, eu nunca tinha sentido tanta dor em toda minha vida. Eu fui torturada e estuprada várias vezes naquela noite. Na hora que ele tirou minha virgindade eu desmaiei, e só me lembro de acordar no hospital. – A paciente chorava.”
Fiquei chocada com o que li, nunca imaginei que fosse daquela forma. Eu estava decidida a descobrir quem era ele, porém o medo era bem maior.
No outro dia eu fui à livraria comprar o livro “A Vampira” de “Jane Austen”, mas estava em falta, então eu fiz a encomenda e acabei levando “Sombras da Noite” do “Stephen King”. No caminho de volta para casa esbarrei em algo macio, quando olhei para o chão vi que era Jenny, a nossa querida preguiça.
– Me desculpe, eu sou uma desastrada. – Falei ajudando a se levantar.
– Tudo bem.
Puxei a manga de sua camisa para ver se ela havia se machucado, ela estava com um hematoma que não havia sido daquela simples queda.
– O que foi isso?
– Você me machucou.
– Você pode até ser burra, mas eu não. Sei muito bem que uma quedinha como esta não te machucaria tanto assim. Quem fez isso?
– Eu caí hoje cedo.
– Vamos fingir que eu acredito.
– Garota eu nem te conheço por que você quer me ajudar?
– Porque eu conheço as pessoas melhor que elas mesmas. E eu sei quando o seu namorado te bate e você não quer admitir, e você diz que não se importa, mas no fundo você sabe que quando ele te fere você se sente viva.
– Eu não gosto disso, mas eu o amo.
– Serio? Ele também, te ama tanto que demonstra te batendo, te espancando. A maioria ama tanto que acaba matando a pessoa que ama. – Falei ironicamente, mas em um tom sério.
– Tudo bem, eu vou conversar com ele.
– Quando? Quando ele estiver te matando?
– Não, eu prometo.
– Então me conte o que aconteceu.
– Tudo bem, mas não aqui e eu não posso ir para a minha casa.
– Vamos para a minha.
No caminho para a minha casa, eu resolvi quebrar o silêncio.
– Você pelo menos sabe meu nome?
– Não.
– Melhor assim.
– Você é estranha.
– Não é a primeira que diz isso.
Quando chegamos a minha casa, fomos para o meu quarto e eu fiz alguns curativos. Ela ligou para os seus pais e logo depois se deitou na cama, odeio gente preguiçosa.
– Agora me conte o que aconteceu.
– Promete que vai guardar segredo?
– Para quem eu contaria? – Sorri
– Foi meu namorado o...
– Tyler.
– Como você sabe?
– Quem não conhece os sete pecados.
– Ok. Ele sempre foi meio esquentado, não é a toa que o chamam de ira. Mas ele nunca tinha me batido. – Ela sentou na cama. – Ele estava brigando com a sua irmã, a Kristen. – Quando eu ia falar ela me interrompeu. – Não me pergunte o porquê, eu não sei. Então eu pedi que ele parasse, ela saiu correndo e ele estava com muita raiva ainda, ficou gritando. Fui tentar acalmá-lo, só que ele acabou descontando a raiva em mim, ele me bateu e me empurrou contra a parede. Acabei fugindo de lá, até que encontrei você.
– Você promete que vai conversar com ele? E se ele voltar a te bater vai denunciá-lo?
– Prometo.
Ela foi dormir e eu fui escrever. Fiquei me perguntando por que ele estava com tanta raiva da irmã.


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