É como se todos esses anos não tivessem significado nada, eu sei onde estou e sei o caminho para casa, mas ainda me sinto perdida. Talvez tenha chegado o momento de me desprender das roupas velhas e esquecer o passado, mas eu estou presa a ele e ele está preso a mim, como se um pertencesse ao outro.
É difícil mudar, quando não se tem certeza de nada, eu quero mudar, mas não sei para que. Eu sei que quero, mas eu não sei o que quero. Isso me sufoca, eu necessito de alguém para compartilhar, mas essa pessoa não está mais aqui, talvez nunca estivesse, e não adianta agora esperar por ela, talvez seja tarde demais, sempre foi tarde demais. E depois que ela se foi eu me senti mais perdida, é como se ela tivesse levado um pedaço meu junto a ela. E agora eu olho para os lados e eu me sinto perdida, mesmo sabendo onde estou.
Eu fico lá observando imóvel, só sirvo agora para preencher o espaço da sala. Eu sei que necessito mudar, que preciso fazer essa escolha, mas é difícil agora, eu preciso que alguém me escute, mas quando eu olho para o canto da sala ela não se encontra mais lá. É difícil dizer adeus, em especial quando ainda estava começando, quando todos planos são desfeitos.
José Saramago disse que dentro de nós há algo sem nome e essa coisa é o que realmente somos, agora quando eu olho para dentro eu não encontro nada, é como se essa coisa tivesse ido embora, em busca da felicidade.
Quando eu sorrio não estou feliz e quando fecho a cara não estou triste, talvez isso faça parte do amadurecimento, mas não gosto dessa sensação, dessa maldita sensação de que estou fazendo tudo errado, que estou no caminho errado, que minha vida está errada, mas não sei o que é certo, não sei nem mais quem sou.
E não adianta rezar, porque agora só estarei enviado mensagens para o espaço, porque eu não sei mais em que acreditar. Eu estou tão perdida, que eu sei o caminho mais mesmo assim não sei para onde ir.

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