Nós escolhemos ser quem somos? Eu não sei!
Eu não sei bem se escolhi ser quem sou. Ás vezes eu queria ser diferente, eu queria ser mais confiante, mais extrovertida, mas eu não consigo, parece ter algo que me trava, e isso não foi escolha minha. Eu mudei muito, mas certas coisas continuam as mesmas. Talvez essas coisas sejam a essência da minha existência ou não, eu simplesmente não sei.
Eu tive tantas tentativas de mudanças falhas e outras muito bem sucedidas, mas a maioria eu não escolhi. Dizem que cada um de nós tem o poder de mudança e que nós que controlamos como agimos, mas ás vezes a gente não pensa e acaba fazendo coisas idiotas. O que fazemos sem pensar demonstrar quem realmente somos? Eu não sei. O que me aborrece é não saber. Já dizia Sócrates: “Só sei que nada sei”.
Eu não escolhi ter medos, mas eu escolhi enfrentá-los. Eu fiz escolhas erradas que me arrependo até hoje, mas certas coisas simplesmente foram acontecendo e eu não tive chance de escolher. E essas coisas são que me tiram o sono.
Ás vezes eu não queria pensar, eu queria fechar os olhos e não pensar em nada, mas eu não consigo. Quando a gente quer não pensar, acaba se tornando algo difícil. Ás vezes eu queria sumir por um tempo, queria que o meu heterônimo se tornasse real e vivesse a vida por mim. Mas isso é impossível, afinal a Bloodie não passa de mim mesma, só que mais madura e menos confusa. É engraçado, quando eu incorporo minha personagem fica tudo mais fácil, é bem mais fácil escrever um texto sabendo que não terá meu nome no final e sim de um personagem criado.
Ás vezes eu queria perguntar para o Fernando Pessoa se quando ele criou seus heterônimos era por medo de expressa o que sentia como eu, mas que pena que eu não posso ligar para ele, afinal ele está morto.
Eu ainda não sei se escolhi ser quem sou, mas eu gosto de viver essa dualidade e das dúvidas que tenho. Talvez as respostas eu nunca encontre, mas também se eu encontrá-las qual seria a graça? Eu sou uma incógnita até para mim mesma.
Eu posso não saber o sentido intimo do universo, afinal Alberto Caeiro um dos heterônimos de Fernando Pessoa dizia que tudo isso é besteira, que não existe sentido. Talvez ele tenha razão, não exista sentido no universo, talvez o sentido de tudo e todas as respostas estejam em nós mesmos. Pois nós escolhemos em que acreditar, e eu escolhi acreditar em mim.
PS: Quando escrevi esse texto eu não sabia direito o que era o fenômeno heteronimia e nem havia estudado sobre Fernando Pessoa por isso posso ter cometido algum equivoco em relação a isso.

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